Começamos no último domingo em nossa comunidade uma nova série de mensagens com o tema RADICALMENTE. Apesar da palavra Radical ter ganho em nossos dias um sentido muito pejorativo, queremos redescobrir seu sentido mais puro e seu valor mais real, para que possamos avançar nos dias de hoje como Cristo avançou em seus dias.
Como já foi dito, Cristo não veio para se alinhar aos protocolos humanos, nem para se submeter a sistemática religiosa de seu tempo, mas manifestou-se com poder, palavras, atitudes e afirmações que foram consideradas “radicais”, duras de se ouvir por muitos que buscavam conformidade com o fluxo deste mundo – “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14.6)”. Quer frase mais radical?
Cristo não veio agradar ao homem, nem o manter no mesmo lugar, nem na mesma condição, mas tirar, incomodar, chamar o ser humano para se voltar à raiz, ao ponto inicial do que a vida e a própria existência representam, e isso nos aponta para Cristo, o Filho de Deus – “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (João 1.3-4).
Um dos sentidos da palavra Radical é sobre aquilo que é pertencente à raiz ou à origem. Aquilo que é o original. Trata-se de essência, a verdadeira essência de nossa fé. Ser radical é voltar às raízes. A igreja contemporânea precisa ser radical, ela precisa voltar as raízes, ela precisa desejar novamente ser como Cristo, e para isso ela precisa desejar novamente o próprio Cristo, a Sua bendita presença, e fazer disso seu objetivo maior, algo muito maior do que qualquer outro objetivo que possamos ter.
Cristo precisa voltar a ser a nossa essência, nosso modelo original – nossa raiz de fé, de vida, de valores, de compromisso com o Reino, de amor e serviço ao próximo, e de obediência a Deus. Porque toda a nossa construção de vida cristã não terá sentido algum, não importa o que façamos, nem quão zelosos nos tornemos, se perdermos a essência, se perdemos nossa raiz.
João escreve sobre isso em Apocalipse 2, quando Jesus fala sobre a igreja de Éfeso. Ele não nega às obras, o trabalho, a paciência, o zelo com a verdade e até a perseverança daquela igreja, mas o Senhor diz: V.4 “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”.
Aquela igreja deixou de ser “radical”, ela agora vivia “para ela” em “nome do Senhor” e não mais para o Senhor, e por isso, apesar de todos os seus esforços e zelo, ela estava se perdendo, porque ela havia perdido a essência. Isso é um alerta para cada um de nós, e para o corpo como um todo. Quando perdemos a essência, perdemos exatamente aquilo que nos faz singulares, exatamente o que Jesus descreveu sobre a condição do sal em Mateus 5.13 “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens”. Aquilo que aconteceu com Éfeso, está acontecendo na igreja nos dias de hoje. Precisamos ser radicais, precisamos voltar a raiz, a essência, para evitar trilhar o mesmo caminho.
As Escrituras apresentam nossos exemplos “radicais” – Jesus, os apóstolos, os discípulos em geral – homens e mulheres firmados em sua fé, com raízes profundas na Palavra e em Deus, comprometidos com a verdade e a vontade do Senhor. Homens radicais em seu tempo, inconformados com o que viam em sua volta.
Irmãos e irmãs, precisamos ser mais “radicais” em nossos dias! Muitos acham que ser radical é se vestir de forma diferente, cortar ou pintar o cabelo de forma extravagante, gritar ou fazer algo que chame a atenção dos outros, porém, essa não é a radicalidade encontrada nas Escrituras. O mundo precisa ver que nós verdadeiramente nos relacionamos com Cristo, e eles não verão isso por essas características externas, mas em nossa obediência a Deus; no tratar com o pecado em nossa vida; por não negociar nossos valores e princípios com nada nem ninguém; por tratar com os outros sempre na verdade; e a constante busca pela renovação de entendimento da vontade de Deus.
Não tenha medo de ser “radical”, tenha medo de se tornar insípido, de se tornar irrelevante, de não encontrar mais em você essa “essência”, pois é o amor de Cristo e o amor por Cristo que nos torna diferentes. E essa diferença não é para nos exaltar, ela na verdade nos torna humildes, pois sabemos que grande é a misericórdia, a graça e o amor de Deus por nós. Essa diferença engrandece unicamente a Cristo em nosso viver – apenas Ele e somente Ele, pois Paulo afirma em Romanos 11.36 – “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém”.
E aí, vamos voltar a essência?
Deus te abençoe.
Pr. Cristiano

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